As Origens e o Ritual do Brinde

Há diversas lendas e versões sobre o nascimento deste ato de confraternização tão gostoso e alegre que é o Brinde.

Diz-se que teria se originado na Antiguidade, pois os relatos mais antigos de brindes remontam aos gregos e fenícios. Durante os acordos de paz entre povos beligerantes, o mediador do acordo deveria se levantar, proclamar sua conclusão e tomar o primeiro gole da bebida (normalmente vinho, a mais mística das bebidas), provando assim que ela não estava envenenada, e que poderia então ser degustada pelos fatigados guerreiros.

Já os romanos, para saciar a sede das divindades, adotaram o hábito de derramar um pouco da bebida no chão — algo como o costume de dar um gole de cachaça “pro santo”, comum no Brasil.

Outros historiadores rezam que o brinde selava o fim de conflitos. O vencedor dava o primeiro gole para provar que não iria envenenar o adversário. Mas por que brindar? Elementar meu caro e incauto leitor: ao bater um copo no outro, o eventual veneno que estaria depositado no fundo das taças se espalharia pela bebida causando a morte certa ao degustador, caso este estivesse blefando. Desta forma, o brinde era prova de honestidade e, (muito importante!) celebraria tempos de paz.

Todavia, lendas a parte, unanimemente historiadores apontam o fato de que os povos antigos acreditavam que ao erguerem suas taças, faziam uma oferenda simbólica a seus deuses.

Para brindar, os franceses dizem “santé” ou “salut”, o quê já deixa a boca no formato ideal para receber pequenas quantidades da bebida. Já os espanhóis erguem suas taças dizendo “salud”, enquanto os italianos gesticulam ao som de “salute”. O universal “tin-tin”, ou “chin-chin”, não é apenas uma onomatopéia para os chineses. Lá, “chin” significa “felicidade”, e “chinchin”, “muita felicidade”. Não confunda: em japonês o brinde é outro, diz-se “kampai”, que quer dizer “copo vazio”. É pra já!

Já os Alemães dizem “prost” se a ocasião for informal, ou “zum wohl” se for a sério. Para os holandeses, um “proost” fará o serviço. Os russos dizem, sem enrolar a língua, “na zdorov”, ou “felicidade”, semelhantes aos poloneses e búlgaros que gastam menos letras para dizer “na zdrve”. Entre os árabes que bebem se diz baixinho “fi sihitaek”. Em ídiche, toda a família diz junta “l´chayim!”, “à vida”. Na língua de Platão, pode-se dizer “steniyasas” (à saúde), enquanto na de Ghandi brinda-se “aapki sehat”.

Hoje em dia, em supostos tempos de paz onde a boa e mais antiga das bebidas pode ser degustada com amigos em casa, ou em restaurantes pelo mundo inteiro, como na Ráscal, o ritual funciona como uma forma de confraternização da mesa, prova de amizade, repeito, amor ou afeto.

E por fim, para que possamos brindar e beber sem medo de falarmos besteira, vamos fechar o post de hoje com uma frase de Aristófanes, dramaturgo grego, para quem a embriaguez trazida pelo vinho era um delírio inebriante, mas que paradoxalmente trazia lucidez. “Rápido! Tragam-me vinho para que eu umedeça a minha mente e diga algo inteligente!”. Saúde!


Sugestão de um excelente espumante: PIZZATO Brut Rosé (uvas Merlot e Egiodola).


É um espumante que encanta pela coloração rosada intensa, com perlage fina e abundante. No nariz, percebemos que seus aromas remetem a frutas do bosque, com predominância para framboesa e morango. Na boca tem uma forte acidez, com um final bastante agradávele relativamente longo.

Postado por Anderson Teixeira (Gerente loja Itaim)

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